Confesso que tenho uma aversão e desprezo desmedidos pela televisão em geral e pelos jornalistas em particular. Prova disso é que não tenho sequer televisor em minha casa.
Sei que estou a ser injusto ao meter tudo no mesmo saco mas assim tenho-me safado da descarga (normal) de desinformação sobre o Líbano, Palestina, Israel, Estados Unidos e outros.
Desinformação que começa na linguagem usada. Nos termos. Conceitos. (Os jornalistas são muito hábeis com as palavras…)
Tenho notado também a falta do “porquê” e do “para quê” na composição das notícias sobre a resistência palestiniana.
E se é o Hezbollah ou a Hamas é porque está a raptar soldados israelitas. Se é Israel está a prender militantes palestinianos, que por acaso foram democraticamente eleitos pelo povo palestiniano. Representantes legítimos portanto.
Se se fala do Hezbollah fala-se num tom reprovador, de mau da fita e que as suas armas têm origem no Irão. Mas omitem que as armas israelitas têm origem nos Estados Unidos.
Referem vezes sem conta que o Hezbollah está a matar inocentes israelitas, omitem que até agora Israel assassinou 340 pessoas nos bombardeamentos e só 28 eram guerrilheiros do Hezbollah.
É de notar também que chacina, assassinato, genocídio, terrorismo são palavras nunca usadas para descrever Israel.
Se dão ênfase à Resolução da ONU que prevê o desmantelamento do Hezbollah, porque é que não dão à Resolução da ONU que obriga Israel a respeitar a soberânia da Palestina. Com direito à autodeterminação como qualquer estado, a um exército próprio como qualquer estado, à definição de fronteiras como qualquer estado.
O Hamas não reconhece a existência de Israel e são considerados terroristas. O Likud de Netanyahu e Sharon enquanto governo de Israel recusou-se a reconhecer a existência da Palestina e são considerados os bons amigos do ocidente.
Se é o Irão que quer construir uma bomba atómica é um perigo incalculável, Israel já a tem há muito.
Mas porquê e como é que o Público tem na primeira página na sua edição de 17 de Julho de 2006 o título “Mísseis do Hezbollah matam civis na cidade mais tolerante de Israel”.
Mas porque é que não se dá voz a quem tem alguma coisa inteligente para dizer? Porque é que o Clube de Jornalistas dá à meia-noite na 2:? Porque é que não se dá voz ao José Goulão e ao Rui Pereira em vez do Nuno Rogeiro, do Marcelo Sousa, do José Malato ou da Júlia Pinheiro? Mas não há intelectuais nos países árabes? Não há professores catedráticos? Não há jornalistas (não confundir com fazedores de notícias)? Não há internet nos países árabes?
Porque é que os media portugueses utilizam reportagens feitas pelo próprio exército israelita de auto-elogio e não arranjam meia dúzia de tradutores para as edições online dos jornais árabes?
Mais uma vez o absurdo anda à solta. Até quando?
July 27, 2006 at 5:39 pm
Tens toda a razão. Os jornalistas e os media podem dar as notícias que entenderem de acordo com a forma que interpretam o facto mas têm a obrigação deontológica e ética de afirmar e NÃO ESCONDER de que lado estão.
Estamos numa época em que a mentira passa incólume por verdade. Em que se ocultam factos que iam influenciar outros factos.
Disseste-me uma vez que é mais fácil controlar o povo pela desinformação do que pela força. Parece que é mesmo verdade.
July 28, 2006 at 10:35 am
Eu sou israelita e judia como sabes.
E como sempre a religião é o melhor pretexto para amarmos ou odiarmos alguma coisa sem saber bem o quê ou porquê.
Nós, judeus, não queremos guerra. Tal como os árabes, tal como os budistas, tal como os católicos, tal como os ateus.
São os senhores da guerra (Bush, Cheney e outros) que ganham com isto. O governo israelita é um fantoche nas mãos deles.
Não somos todos iguais!
Um beijinho.
July 30, 2006 at 1:27 pm
Esta merda é tão injusta.
Os americanos semeiam guerra por onde passam.